[peça-instalação] + [experimento-cênico]

Vigília
[peça-insônia] e [experimento cênico]

Projeto cênico  co-dirigido pela atriz, diretora e dramaturga Ana Roxo e  pela artista da dança e do vídeo Mariana Vaz, a partir do texto (inédito) de Cássio Pires, criada/interpretada por Ana Roxo e mais três jovens atores (Fernando Domenico, Rafael Augusto e Pedro Stempniewski) formados pela Escola Livre de Teatro (Santo André – SP).
Em VIGÍLIA, um homem compartilha com seu interlocutor, o público, seu dilema: faz alguns anos que não dorme. O texto é narrado em primeira pessoa e no presente. O INSONE - no limite da exaustão - compartilha, ao mesmo tempo em que vive, seu dilema. Provoca-se, assim, uma suspensão no tempo: confuso pelo transe-cansaço da insônia, vaga pela grande cidade sem nome, em ruas desconhecidas, construções abandonadas, prédios diversos, ruas diversas, luzes diversas. O espaço se dissolve em suspensão enigmática: importa pouco onde está e sim a vertigem-megalópica-insone. Qualquer lugar é um entreposto entre o sono e a vigília.
A aparente (con)fusão de espaço-tempo no texto é a pedra de toque para  a construção de uma narrativa sobretudo espacial: os “ondes” são tomados como “quandos”; os “quandos” em movimento contínuo - com espaços de suspensão - e o movimento por entre o tempo-espaço como condutor. Tal espécie de narrativa sugere que  nos debrucemos sobre outras dramaturgias. Diversos narradores e pontos de vista convivendo com outras formas de narrar: o corpo, o espaço e sua transitoriedade, o tempo e sua suspensão.  
O texto transforma-se numa cartografia tridimensional  que dá suporte à cena improvisada e o espaço cênico numa instalação, onde essas narrativas diversas ocorrem simultaneamente. Os atores/personagens/narradores-de-si livres para dançar por entre a fábula, criando uma  cronologia espacial,  fundando uma topologia de tempo.
O espaço cênico convencional foi abolido, dando lugar (e portanto tempo) para a narrativa.  O espetáculo torna-se mais do que cíclico: sisífico, eterno - não há começo e não há fim, não há tempo, todos tempos são agora e portanto eternos, todos os lugares são o mundo, e portanto, subjetivo e transitório. O fim é recolocado toda noite como uma possibilidade de recomeço. A trajetória – de texto e movimento - é construída , em tempo real, a cada “Vigília”.
Esse gráfico espaço x tempo é trabalhado de duas formas dentro da concepção:
O tempo – em que ordem se narra, durante quanto tempo se narra cada cena, pausas, suspensões, ritmos, composições sonoras em espaço restrito e delimitado, explodido pela narrativa que transita pelos acontecimentos embaralhados  no tempo.
O espaço – composição arquitetônica de uma cidade insone, relação e desenho dos corpos, hiper estimulados pelo desespero de não conseguir dormir ou letárgicos pelo cansaço da vigília, o que guia a narrativa é a possibilidade de trânsito livre e composição pelo espaço aberto da cidade, limitado pela narrativa que o recorta.
Assim, a peça desdobra-se em dois eixos distintos, resultando em duas relações espaço-temporais. Dois modos de representar a vigília-vertigem, dois modos de improvisar uma dramaturgia, duas maneiras de ocupar o espaço: em transe vertigem (a)temporal ou trânsito fluxo composição espacial.
Vigília [experimento cênico] é uma intervenção no espaço: toma a rua, o pátio, a praça, a área de convivência transformando-os em espaço cênico. A narrativa no transita pela arquitetura, geografia, topografia, permitindo que o espaço interfira no improviso. Os poucos elementos cênicos – travesseiros, relógios, abajures, um pequeno projetor - são levados e manipulados pelos atores. Alimenta-se da exploração dos espaços e da possibilidade de diversas configurações temporais: uma hora, duas, dez, a noite toda..... A fábula originária do texto é um ponto-de-partida e o  estado de vigília-insone é levado às últimas conseqüências.  Como os atores,  o público também move-se livremente, escolhe o recorte, edita seu olhar. 
Vigília [peça insone] que num espaço cênico – galpão, sala alternativa, quadra, delimitado por luz, cenário e vídeo, possa fruir o tempo dilatado, construindo sentidos diversos no embaralhamento do texto, aprofundando o sentido de suspensão temporal construído pela primeira pessoa no presente. INÉDITA.
A pesquisa iniciou-se em julho/2010 e  foi contemplada pelo PROAC 02 – Premio de apoio à Criação de espetáculo de teatro 2011. Com apoio do prêmio, estreamos e circulamos Vigília [experimento cênico] pelo interior do estado de São Paulo entre dezembro de 2011 e março de 2012. Já Vigília [peça insone] está inédita: buscamos parcerias para estreá-la no início do 2o semestre/2012.